Estratégias de investimentos – Seleção e busca de bons gestores

The past performance does not necessarily predict future results.

Les performances passées ne préjugent pas des résultats futures.

A rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura.

Não importa muito a língua que esteja utilizando ou a jurisdição do investimento, provavelmente você encontrará este aviso, também comumente referido como disclaimer, nos prospectos ou regulamento dos fundos de investimentos.

Apesar de não ser nenhuma garantia, a performance de um gestor é um dos principais indicadores no processo de avaliação e seleção de um fundo de investimentos.

Ela é importante, sobretudo, para avaliarmos a consistência do gestor, ou muitas vezes do time da gestão, ao longo do tempo. Desta maneira, tanto os órgãos reguladores como também as entidades autorreguladoras estabelecem alguns critérios mínimos de como se deve apresentar o histórico dos fundos. Nos Estados Unidos, a associação de estão de investimentos conhecida como AIMR (sigla para Association for Investment Management and Research),responsável pela conceituada certificação de analistas de investimentos chamada CFA (Chartered Financial Analyst), estabeleceu um conceito global de parâmetros éticos para se calcular a performance dos fundos de investimentos – GIPs (Global Investment Performance Standards). Os padrões foram estabelecidos em 1999, mas foram desenvolvidos desde 1980.

Tais padrões, sejam os estabelecidos pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), sejam os utilizados pelo conceito GIPs, buscam proteger os investidores de algumas armadilhas, como não utilizar um período consistente, garantir que o histórico esteja atrelado ao mesmo gestor ou equipe de gestão, ou ainda procurar mostrar o risco dos investimentos relacionados àquela performance.

Se o investidor tomar como base somente a performance do fundos para selecionar um fundo de investimentos, provavelmente, estará tomando uma decisão equivocada. Estudos no mercado americano mostram que há muito baixa evidência de que os melhores gestores possam ser identificados somente por este fator. Pior ainda, ao se basear somente por este quesito, o investidor estará comprando hot funds no topo de mercado de alta, e provavelmente reduzindo ainda mais sua expectativa de retorno, comprando na alta e vendendo na baixa.

A seleção do gestor deve ser avaliada por uma série de fatores que muitas vezes devem estar interligados. Por exemplo, um fundo de investimento com retorno de 12% ao ano é melhor que um fundo de 10% de performance se o parâmetro de risco for equivalente. Mas, se dissermos que o risco do primeiro é o dobro do risco do segundo, esta relação muda.

Com relação a fundos que parecem um “reloginho” em termos de performance, isto é, “faça chuva ou faça sol” o desempenho do gestor é sempre muito bom, apesar de ser algo muito desejável de um gestor, dever-se-ia tomar um cuidado maior e avaliar critérios como marcação a mercado e segregação de atividades para não se incorrer em simulações ou fraudes.

Certa vez, há 5 anos, um alocador de fundos de investimentos me disse que gostava muito da qualidade do gestor, de sua capacidade de escolha de ativos e da performance de longo prazo do fundo, mas que não investiria naquele momento devido à performance ruim do mês anterior e esperaria o retorno melhorar um pouco.

Ao explicar que o retorno do fundo havia ficado um pouco abaixo do esperado devido a um fator pontual de mercado e que o cenário deveria ser positivo para a posição do fundo, ele concordou com a argumentação do gestor, com a posição e com cenário, mas que mesmo assim iria esperar um pouco a performance melhorar. Respondi a ele que, se ele concordava com todos os argumentos, esperar um pouco só faria perdê-lo a boa rentabilidade do fundo se ela se confirmasse e que não haveria nenhuma garantia de que ela pudesse continuar quando ele investisse no fundo depois.

Fonte: SulAmerica Investimentos