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Juros do cartão de crédito dispara e chega a 360%

Data: 26/06/2015

Duas das modalidades mais caras de crédito voltaram a apresentar forte alta de juros em maio. No cartão de crédito rotativo, a taxa média anual teve um salto de 13,1 pontos percentuais em relação a abril e atingiu os 360,6%, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central.

“O crédito rotativo por definição tem taxa de inadimplência mais elevada e isso acaba refletindo na taxa de juros”, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. Ele acrescentou que a modalidade só deve ser usada em casos excepcionais e por um prazo curto.

Segundo o educador financeiro Reinaldo Domingos, o “erro capital” é pagar a parcela mínima do cartão. Com as altas taxas de juros cobradas, o consumidor acaba sendo levado à inadimplência. “Caso não consiga pagar a parcela total, procure outra linha de crédito que não possua juros que ultrapassem 2,5% ao mês”, afirma.

Uma dica é alterar o limite do cartão de crédito, que não deve ultrapassar 50% do salário ou ganho mensal. Isso evitará gastar mais do que se recebe, diz o especialista.

Outra modalidade que está bem mais cara é o cheque especial. O juro cobrado chegou a 232% ao ano em maio, uma alta de 6 pontos percentuais. Esse é o maior patamar desde dezembro de 1995, quando estava 242% ao ano.

A taxa média de juros do crédito para as famílias chegou ao recorde de 57,3% ao ano, a mais alta da série histórica do BC, iniciada em 2011. De abril para maio, o avanço foi 1,2 ponto percentual.

Com os juros mais elevados, o saldo das operações de crédito deve crescer menos este ano. Segundo estimativa do BC, a expansão deve ficar em 9%, em 2015, inferior aos 11% previstos em março. Essa será o menor crescimento desde 2003, quando ficou em 8,8%. No ano passado, o crédito cresceu 11,3%.

Segundo Maciel, a moderação do crédito e o aumento das taxas de juros seguem o atual quadro econômico, com aumento da Selic, corte de gastos públicos e retração da economia. “De uma maneira geral, o comportamento do mercado de crédito segue o ajuste macroeconômico em curso”, afirmou.

Tabelas compartivas das taxas de crédito de Mai/2014 a Mai/2015 e os bancos que cobram as maiores taxas

Fonte: Metro